Hoje,
enquanto almoçava, pensei na minha relação com os livros. Talvez pelo fato de estar
cercada por uma pilha deles, mal conseguia olhar para o prato. Os títulos
pulavam, me chamavam... mas, a comida estava boa, logo eu estava indisponível no momento... se é que me entendem. Daí, enquanto comia me
restou pensar em quanto amo os livros.
Minha
relação com os livros é tão complexa que eu creio piamente que daria um
livro... hehehe. Ela começou na infância, quando a eles fui apresentada. Desde
essa época aprendi que os livros são quase seres vivos. Cada livro tem não só a
história que carrega consigo, mas também a história de seu “nascimento”. Por
isso, quando pego um livro costumo pensar como foi que ele saiu da cabeça de
alguém e foi parar na minha mão.
Sabe
de uma coisa, livros são seres vivos sim! Escrever não é nada fácil. Corretamente,
menos ainda. Escrever, pelo menos para mim, é de fato uma espécie de parto. Ora
pela muita preguiça, ora por outras miudezas do dia a dia, quase sempre escrevo
à fórceps. Vai lá! Tudo bem... Sei que
sou meio exagerada e talvez seja só uma cesárea, geralmente humanizada... Mas, hoje, particularmente, me ocorreram coisas que precisei registrar com
urgência. Afinal eu precisava entender esses pensamentos, por isso as idéias
vieram à luz de forma simples e imediata, de parto normal mesmo. Eu diria até
que foi um parto indígena: sem ninguém por perto nem pra cortar o cordão.
Quero
e preciso dizer o quanto amo livros! Inclusive, preciso confessar que amo mais
os livros do que a leitura em si, pra ser bem sincera. Isso não é curioso?
Percebi a poucos segundos que ter ao menos um livro por perto, ainda que eu não
o tenha lido me deixa motivada, segura, feliz! Amo livros porque desde criança
eles falam comigo antes mesmo que eu os toque. Antes de abrir a primeira página
já sinto uma forte emoção. Gosto de ler o prefácio. Gosto das orelhas e das
capas. Sempre gostei das ilustrações ou da ausência delas. E quando o conteúdo vai
além do esperado? Aí nem se fala!
Amo
livros porque são quase eternos e de várias maneiras eternizam a raça humana e
tudo o que Deus criou. Amo livros porque contam historias, porque nos ensinam
milhares e milhares de coisas. Amo saber as coisas através desses mensageiros
do tempo. Livros velhinhos ou novíssimos. Livros acadêmicos, teológicos,
artísticos, infantis... Nossa! Como eles são múltiplos e como me encantam!
Lembro
bem como meu pai ia conosco no sebo da Av. Guararapes, no Recife e nos
presenteava com uma ou duas “preciosidades” à nossa escolha. Lembro das
inúmeras visitas com ele às livrarias. Especialmente à “Livro Sete”, no bairro
da Boa Vista... Era quase impossível passear com ele, sem que em algum momento,
não parássemos diante de pilhas de livros antigos ou estantes e mais estantes
com livros novinhos.
Lembro
de um livro que minha irmã mais velha leu para mim. Chamava-se “A morte tem sete
herdeiros”. Tão fascinante que toda a trama nunca saiu de minha cabeça e assim
que consegui sozinha, tive o prazer de reler.
Como foi bom ter lido também um monte de coisas “por obrigação” escolar.
Na escola, fui da época da série “Vaga Lume” e suas incríveis histórias...
Depois vieram os clássicos exigidos pelo vestibular. Um repertório mega
interessante.
Amo
livros e agora entendo porque não consigo ler tanto quanto gostaria. Minha
relação de amor com eles é tão exclusiva e empolgante; remonta tantas coisas
boas em minha vida que fico ansiosa quando adquiro, quando ganho ou quando um
livro qualquer chega às minhas mãos. É algo
tão emocionante que me aproximo dele devagar... Numa quase dessensibilização. Num
quase respeito. Tenho, às vezes, medo! Medo de algo que não sei explicar. Sei
que vivo algo esquisito quando estou com um livro na mão, na estante de casa,
na mesinha de cabeceira e, via de regra, na bolsa, aguardando o sublime momento
em que será lido. Penso que quanto mais ele me parece extraordinário, mais
demoro a “chegar nele”. Mais adio a leitura.
Finalmente,
está entendido para mim o frenesi que me causam os livros. Não só os da minha
pequeníssima biblioteca, mas das prateleiras do mundo todo. Agora sei porque
leio relativamente pouco e tão vagarosamente.

Nenhum comentário:
Postar um comentário