terça-feira, 18 de agosto de 2015

Amo livros!


Hoje, enquanto almoçava, pensei na minha relação com os livros. Talvez pelo fato de estar cercada por uma pilha deles, mal conseguia olhar para o prato. Os títulos pulavam, me chamavam... mas, a comida estava boa,  logo eu estava indisponível no momento...  se é que me entendem. Daí, enquanto comia me restou pensar em quanto amo os livros.
Minha relação com os livros é tão complexa que eu creio piamente que daria um livro... hehehe. Ela começou na infância, quando a eles fui apresentada. Desde essa época aprendi que os livros são quase seres vivos. Cada livro tem não só a história que carrega consigo, mas também a história de seu “nascimento”. Por isso, quando pego um livro costumo pensar como foi que ele saiu da cabeça de alguém e foi parar na minha mão.
Sabe de uma coisa, livros são seres vivos sim! Escrever não é nada fácil. Corretamente, menos ainda. Escrever, pelo menos para mim, é de fato uma espécie de parto. Ora pela muita preguiça, ora por outras miudezas do dia a dia, quase sempre escrevo à fórceps. Vai lá! Tudo bem...  Sei que sou meio exagerada e talvez seja só uma cesárea, geralmente humanizada... Mas, hoje, particularmente, me ocorreram coisas que precisei registrar com urgência. Afinal eu precisava entender esses pensamentos, por isso as idéias vieram à luz de forma simples e imediata, de parto normal mesmo. Eu diria até que foi um parto indígena: sem ninguém por perto nem pra cortar o cordão.
Quero e preciso dizer o quanto amo livros! Inclusive, preciso confessar que amo mais os livros do que a leitura em si, pra ser bem sincera. Isso não é curioso? Percebi a poucos segundos que ter ao menos um livro por perto, ainda que eu não o tenha lido me deixa motivada, segura, feliz! Amo livros porque desde criança eles falam comigo antes mesmo que eu os toque. Antes de abrir a primeira página já sinto uma forte emoção. Gosto de ler o prefácio. Gosto das orelhas e das capas. Sempre gostei das ilustrações ou da ausência delas. E quando o conteúdo vai além do esperado? Aí nem se fala!
Amo livros porque são quase eternos e de várias maneiras eternizam a raça humana e tudo o que Deus criou. Amo livros porque contam historias, porque nos ensinam milhares e milhares de coisas. Amo saber as coisas através desses mensageiros do tempo. Livros velhinhos ou novíssimos. Livros acadêmicos, teológicos, artísticos, infantis... Nossa! Como eles são múltiplos e como me encantam!
Lembro bem como meu pai ia conosco no sebo da Av. Guararapes, no Recife e nos presenteava com uma ou duas “preciosidades” à nossa escolha. Lembro das inúmeras visitas com ele às livrarias. Especialmente à “Livro Sete”, no bairro da Boa Vista... Era quase impossível passear com ele, sem que em algum momento, não parássemos diante de pilhas de livros antigos ou estantes e mais estantes com livros novinhos.
Lembro de um livro que minha irmã mais velha leu para mim. Chamava-se “A morte tem sete herdeiros”. Tão fascinante que toda a trama nunca saiu de minha cabeça e assim que consegui sozinha, tive o prazer de reler.  Como foi bom ter lido também um monte de coisas “por obrigação” escolar. Na escola, fui da época da série “Vaga Lume” e suas incríveis histórias... Depois vieram os clássicos exigidos pelo vestibular. Um repertório mega interessante.
Amo livros e agora entendo porque não consigo ler tanto quanto gostaria. Minha relação de amor com eles é tão exclusiva e empolgante; remonta tantas coisas boas em minha vida que fico ansiosa quando adquiro, quando ganho ou quando um livro qualquer chega às minhas mãos.  É algo tão emocionante que me aproximo dele devagar... Numa quase dessensibilização. Num quase respeito. Tenho, às vezes, medo! Medo de algo que não sei explicar. Sei que vivo algo esquisito quando estou com um livro na mão, na estante de casa, na mesinha de cabeceira e, via de regra, na bolsa, aguardando o sublime momento em que será lido. Penso que quanto mais ele me parece extraordinário, mais demoro a “chegar nele”. Mais adio a leitura.

Finalmente, está entendido para mim o frenesi que me causam os livros. Não só os da minha pequeníssima biblioteca, mas das prateleiras do mundo todo. Agora sei porque leio relativamente pouco e tão vagarosamente.

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